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Microbiologista fala sobre bactérias que comem plástico

Quase sem perceber utilizamos plásticos todos os dias, diante disso, pesquisadores estimam que em 2050 haverá mais plástico no oceano do que peixes.

Ciência
2 dias atrás
Microbiologista fala sobre bactérias que comem plástico

Os seres humanos produzem cerca de 300 milhões de toneladas de plástico novo a cada ano, e apenas 9% é reciclado, o pior é que o plástico libera poluentes químicos prejudiciais para os oceanos, solo, comida, água e até para as pessoas, sem contar que o plástico é incrivelmente resistente e durável, estimas-se que pode levar algo em torno de 500 a 5 mil anos para se decompor completamente.

No entanto, pode haver uma incrível solução para lidar com todo esse lixo. E a resposta é, bactérias! Assim como o plástico, elas são duráveis, adaptável e está em toda parte.

Descubra como bactérias podem ajudar no problema de poluição plástica

A microbiologista Morgan Vague é assistente de pesquisa sênior, ela realizou uma pesquisa com bactérias, forçando-as à viver em ambiente livre de carbono, ou um ambiente livre de alimentos, sem os carbonos habituais, ou alimentos, que as bactérias precisam para viver.

Os seres humanos produzem 300 milhões de toneladas de plástico novo a cada ano.
Os seres humanos produzem 300 milhões de toneladas de plástico novo a cada ano.

As bactérias são microorganismos vivos unicelulares e procariontes, é um tipo de célula biológica, invisíveis a olho nu. Elas possuindo tipicamente alguns micrômetros de comprimento e podem ter diversos formatos, variando de esferas até bastões e espirais. É possível encontrar bactérias em toda parte, em todos os tipos de ambientes diversos e extremos, do intestino humano, ao solo, à pele, e até nas aberturas no leito oceânico, que possui temperaturas de 370 ºC.

Estima-se que existe cerca de 5 milhões de trilhões de trilhões de bactérias no planeta, sobrevivendo com as mais inusitadas fontes de comida. E por elas serem extremamente adaptáveis, as bactérias podem viver em qualquer lugar, comendo qualquer coisa.

A pesquisa

Morgan Vague contou sobre sua pesquisa em uma palestra TED, ministrada em outubro de 2018.

Apesar de nossos melhores esforços, menos de 10% dele acaba sendo reciclado.
Apesar de nossos melhores esforços, menos de 10% dele acaba sendo reciclado.

“Eu estava tentando preparar um meio livre de carbono, nesse ambiente, eu daria às minhas bactérias uma única fonte de carbono ou alimento. Eu as alimentaria com polietileno tereftalato, ou plástico PET. O plástico PET é o plástico mais amplamente produzido no mundo. É usado em todo tipo de recipiente de comida e bebida, cujo exemplo mais famoso são as garrafas plásticas de água, que nós, seres humanos, consumimos atualmente a uma taxa de 1 milhão por minuto. Basicamente, eu estaria colocando minhas bactérias em uma dieta forçada de plástico PET e vendo se algumas delas conseguiriam sobreviver ou, com sorte, prosperar.” Disse Morgan Vague.

Por meio de algumas adaptações criativas, as bactérias desenvolveram a capacidade inesperada de comer plástico. Como isso acontece? As bactérias desenvolveram no tempo de pesquisa enzimas chamadas lipase, que se liga a plástico PET e ajuda a quebrá-lo em pedaços pequenos e digerir usando como fonte de energia para elas sobreviverem.

Diante do cenário de poluição plástica em todo o mundo, embora a redução, a reutilização e a reciclagem sejam importantes, esses métodos sozinhos não serão suficientes para resolver o tal problema. “É nesse ponto que acredito que as bactérias possam nos ajudar.” Complementa a microbiologista Morgan Vague.

Existe uma maneira melhor de lidar com todo esse lixo?
Existe uma maneira melhor de lidar com todo esse lixo?

Esse seria uma forma natural de contribuir para a poluição plástica, simplesmente porque essas bactérias que comem plástico já existem no meio ambiente, ou seja, não são monstros geneticamente modificados, apenas de forma natural, diante do ambiente que elas se encontraram, desenvolveram a capacidade de comer plástico PET. No entanto, esse processo pode ser incrivelmente lento.

“Ainda há muito trabalho a ser feito para descobrir como acelerar esse processo para uma velocidade útil. Minha pesquisa atualmente analisa maneiras de fazer isso por meio de uma série de pré-tratamentos com UV, ou ultravioleta, o que significa, basicamente, que explodimos plástico PET com luz solar. Fazemos isso porque a luz solar age como para amaciar um bife, deixando as ligações grandes, resistentes e duráveis ​​do plástico PET um pouco mais macias e fáceis para minhas bactérias mastigarem.” Relata Morgan Vague.

Por fim, a ideia é criar uma instalação dedicada de lixo plástico movida a bactérias, onde se destinaria todo o lixo plastico para serem consumidos por bactérias, em que a única fonte de alimento delas seja lixo plástico PET.

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